Diabo da Tasmânia acelerou evolução para dar a volta a ameaça de extinção.

29-03-2019 18:17

Os marsupiais conhecidos como diabos da Tasmânia são dizimados há mais de 20 anos por uma forma de cancro contagioso, mas cientistas australianos descobriram que os animais estão a conseguir evitar a extinção evoluindo mais depressa.

O diabo da Tasmânia, um marsupial carnívoro noctívago conhecido pelo forte cheiro que emite quando se sente ameaçado, só existe na ilha que fica ao sul da Austrália e desde 1996 é afetado por uma doença que se caracteriza por provocar tumores no focinho, fatal em quase todos os casos, que já acabou com 85% da população.

A doença transmite-se através das mordeduras que acontecem quando os animais lutam ou acasalam e que provoca tumores no focinho que os impedem de comer, acabando por morrer de fome.

No entanto, os investigadores descobriram que os diabos da Tasmânia, com uma população entre 15.000 e 18.000 animais, estão a desenvolver resistência à doença e a criar anticorpos, com cerca de duas dezenas de animais estudados a conseguirem sobreviver.

O investigador Rodrigo Hamede, da Universidade da Tasmânia, afirmou à France Presse que há animais que contraíram a doença, mas que conseguiram curar-se, enquanto outros não ficaram doentes.

"O risco de extinção continua a existir" ressalvou Chris Coupland, do santuário de Cradle Mountain, observando que a população não pode cair abaixo dos 10.000 animais.

O ciclo reprodutivo dos diabos está a acelerar, com cios anuais em vez de bianuais, como costuma acontecer, e os animais chegam à idade reprodutiva mais cedo.

O que acontece é que, como a população decaiu, há mais alimento e os animais conseguem atingir mais cedo o peso em que se tornam férteis.

Os responsáveis pelo santuário colaboram reunindo informação genética em bases de dados, o que lhes permite selecionar animais para se reproduzirem com mais diversidade genética.

"A adaptação às doenças acontece sempre, mas costuma ser à escala evolutiva [medida em milhares de anos] e não em seis ou oito gerações [12 a 16 anos]. É uma evolução incrivelmente rápida", assinalou.

 

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