Doença de Alzheimer pode manifestar-se logo aos 40 anos

21-09-2017 20:09
A idade habitual de diagnóstico situa-se entre os 70 e os 80 anos mas não são raros os casos de surgimento precoce da patologia, como explica a neurologista Belina Nunes.

O Alzheimer é a causa mais frequente de demência, declínio cognitivo que compromete a memória e a concretização de tarefas diárias. A idade habitual de diagnóstico ronda, em média, os 70 a 80 anos, mas pode aparecer logo aos 40. Afeta principalmente mulheres e vários estudos epidemiológicos mostram-nos que a sua prevalência aumenta de modo dramático com a idade. «A partir dos 65 anos, o risco duplica com cada década de vida», alerta a neurologista Belina Nunes.

Porque pode surgir mais cedo?

A explicação é simples. «A doença de Alzheimer é, maioritariamente, uma patologia do envelhecimento, com uma prevalência de cerca de 5% por volta dos 65 anos, valor que sobe para os 40%, aos 85 anos», refere a a especialista. Contudo, «no caso de doença de Alzheimer familiar, de causa genética, os sintomas ocorrem mais cedo, entre os 40 e os 50 anos», revela a especialista.

A transmissão genética acaba, no entanto, por ser uma exceção. «As formas hereditárias da doença de Alzheimer são, no entanto, raras, representando menos de 5% dos casos», ressalva Belina Nunes, acrescentando que «os familiares de doentes de Alzheimer não devem, contudo, assumir de modo linear que irão também contrair a doença». Ainda assim, não devem descurar um comportamento preventivo.

 

O que fazer para prevenir a doença?

«Neste momento, falta-nos ainda saber de que forma é que os fatores de risco da doença de Alzheimer que têm sido identificados (baixa escolaridade e depressão crónica) interferem no normal funcionamento das células cerebrais», sublinha a neurologista Belina Nunes. «E esse conhecimento será decisivo na futura capacidade de intervenção para prevenir a ocorrência da doença ou atrasar o seu aparecimento», alerta ainda a especialista.

No entanto, atualmente, já é possível definir algumas regras que podem fazer diferença. «Manter o cérebro estimulado e evitar o aparecimento dos fatores de risco vascular, como a hipertensão arterial, a diabetes e a dislipidemia (fatores que estão relacionados com maior risco de demência)» é o melhor caminho a seguir, segundo esta profissional.

Para isso, é fundamental que adote hábitos saudáveis, como praticar exercício físico regularmente, contrariar o stresse excessivo no dia a dia, não fumar e não abusar do álcool. Outro passo fundamental é exercitar o cérebro, através da leitura ou da aprendizagem de novas competências ao longo da vida, nomeadamente em termos de línguas, de informática e/ou de outras atividades lúdicas).

4 sinais de alarme a ter em conta

De acordo com a neurologista Belina Nunes, são quatro os principais sinais a que deve estar atento:

1. Falhas de memória como e/ou repetir a mesma pergunta várias vezes ao dia

2. Perder-se num local bem conhecido

3. Não recordar informações recentes, como o almoço ou jantar da véspera, por exemplo

4. Não conseguir recordar os passos para executar uma tarefa comum, como cozinhar, por exemplo

Texto:  com Belina Nunes (neurologista)

 

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