Dormir pouco pode acelerar aparecimento da doença de Alzheimer.

02-02-2019 12:02

Dormir pouco pode acelerar aparecimento da doença de Alzheimer

 

Estudo publicado na Science estabelece relação entre dormir pouco e o surgimento de Alzheimer, já que a privação do sono leva ao aumento da proteína tau no cérebro.

É sabido que quando as proteínas tau têm defeitos podem levar ao aparecimento de estados de demência

AFP/Getty Images

 

“Não sabemos se um sono adequado pode proteger-nos do Alzheimer”, mas, pelo sim, pelo não, “é algo que devemos experimentar”. O conselho é de David Holtzman, o professor que esteve à frente da equipa de investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, situada em St. Louis, Missouri. E o que a equipa fez foi conseguir estabelecer uma nova ligação entre a qualidade do sono e o surgimento de demência. A ponte entre perturbações de sono e a doença de Alzheimer há muito que está a ser estudada, mas o artigo que a equipa publicou na revista Science, no final de janeiro, traz algumas novidades.

Já sabíamos que os problemas de sono e a doença de Alzheimer estão associados devido a uma outra proteína — a beta amiloide — mas o que este estudo revela é que a perturbação do sono provoca o aumento rápido da proteína prejudicial tau e faz com que ela se espalhe ao longo do tempo”, explica David Holtzman.

 

“Ainda não sabemos se ter um sono de qualidade nos vai proteger do Alzheimer. Mas mal não faz e até pode vir a desacelerar a doença. Dormir uma boa noite de sono é algo que todos nós devíamos tentarfazer”, explica o investigador, citado pela CBS Philly.

“Os nossos cérebros precisam de tempo para recuperar do stress do dia a dia”, acrescentou David Holtzman, que é também diretor do Departamento de Neurologia da universidade de Washington. No entanto, frisou que ainda não é possível garantir que o sono de qualidade proteja da demência. É nesse sentido que a investigação aponta, mas são necessárias mais evidências científicas.

“O interessante deste estudo é que sugere que fatores da nossa vida real, como o sono, podem afetar a velocidade com que uma doença se espalha pelo cérebro”, conclui o professor.

 

Para chegar a estas conclusões, a equipa recolheu amostras de cérebro e de medula espinhal de oito pessoas após uma noite normal de sono. O mesmo processo foi repetido depois de uma noite em que as mesmas oito pessoas foram mantidas acordadas.

Na segunda situação, os níveis de tau aumentaram quase 50% nos cérebros humanos.

 

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