Não voltarei a duvidar de Elon Musk", diz o ex-astronauta Scott Kelly.

24-10-2017 22:23
Scott Kelly, que já deteve o recorde mundial de mais dias passados no espaço, falou em entrevista sobre os planos de Elon Musk, o futuro da mobilidade terrestre e os perigos que se escondem numa futura viagem a Marte.
NASA astronaut Scott Kelly walks after donning space suit at the Baikonur cosmodrome March 27, 2015.  The Soyuz TMA-16M spacecraft is scheduled to blast off from Kazakhstan on March 28, with NASA astronaut Scott Kelly and Russian cosmonauts Mikhail Kornienko and Gennady Padalka to the International Space Station. REUTERS/Maxim Zmeyev - RTR4V7IN

 

Embora reúna já uma grande comunidade de apoiantes em torno das suas ideias visionárias, Elon Musk não é um nome consensual nas indústrias onde opera. E na questão de Marte, onde o empresário quer chegar dentro de cinco anos, o ceticismo é ainda maior.

Scott Kelly, no entanto, não faz parte deste último grupo. O astronauta, que bateu em 2015 o recorde de mais dias acumulados no espaço, disse que duvidou de Musk quando este se propôs a aterrar parte de um foguetão numa plataforma em alto-mar. "Pensei que ele era louco", admitiu em entrevista a um programa de TV norte-americano. Porém, quando o objetivo foi alcançado, Kelly prometeu a si mesmo que "nunca mais duvidaria" daquele que é o CEO da SpaceX.

Recorde-se que Musk quer levar humanos a Marte em 2024. Para isso, o empresário planeia construir um foguetão de 42 motores, chamado BFR, que deverá ter capacidade para 100 passageiros e 150 toneladas de carga.

 

"Estou muito confiante de que conseguimos construir a nave e tê-la pronta para descolar no espaço de cinco anos", disse Musk.

A viagem entre os dois planetas é um tema familiar ao astronauta norte-americano. Embora não tenha chegado a viajar até Marte, Scott Kelly passou cerca de um ano em permanência no espaço e relembra que a viagem até ao planeta vizinho poderá demorar cerca de 200 dias a fazer, uma temporada que, contudo, terá efeitos físicos substanciais nos tripulantes.

"Naquele ambiente onde o peso não tem grande importância, nós perdemos imensa massa óssea e muscular. Se não fizermos nada acerca disso, podemos perder até 1% de massa óssea por mês", adiantou. Se a missão durasse cerca de 100 meses, diz Kelly, os tripulantes "iam transformar-se em gelatina, porque ficariam sem qualquer osso no corpo".

 

Apesar dos perigos, Scott Kelly acredita que a ambição de Elon Musk não só é exequível como vai tornar-se numa tendência a curto prazo. Para o norte-americano, o transporte espacial está a 30 anos de distância.

Ainda em entrevista, o astronauta recorda que o cumprir deste objetivo vai beneficiar em muito a mobilidade no planeta Terra. Se forem desenvolvidos transportes de deslocação suborbital, os passageiros vão poder sonhar com viagens "de 45 minutos entre Los Angeles e Londres". Atualmente, o trajeto demora cerca de 10 horas a completar.

"Acho que vamos começar por ter um sistema semelhante ao que tivemos nos primeiros anos da indústria da aviação, onde os primeiros aviadores começaram a levar passageiros em passeios e depois tudo se desenvolveu até se transformar num sistema de transporte. Quanto mais o fizermos, melhores vamos ser a fazê-lo", concluiu.

Lojasbrasil.net

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