O surpreendente caso dos gémeos que têm pais diferentes.

15-02-2019 12:34

Alexandra e Calder, de 19 meses, são irmãos gémeos, filhos da mesma mãe mas com pais biológicos diferentes.

Simon e Graeme Berney-Edwards são um dos poucos casais britânicos que escolheram fertilizar dois embriões - cada um com a matéria genética de cada homem - e implantá-los, ao mesmo tempo, no útero de uma mulher, recorrendo à maternidade de substituição, popularmente chamada de barriga de aluguer.

 

Esta técnica de fertilização in vitro permitiu que nenhum dos companheiros tivesse de abdicar de ser pai biológico, sendo que cada um concebeu um filho: Alexandra é filha de Simon e Calder é filho de Graeme. Afetiva e legalmente, os bebés são filhos de ambos.

 
 

"Lembro-me que ficamos sentados à mesa de jantar durante duas horas, entre a euforia e as lágrimas", contou Simon durante uma entrevista ao programa da jornalista Victoria Derbyshire, da BBC, recordando o momento em que o casal soube que ia ser pai.

Para tornar realidade o sonho de Simon e Graeme, foi preciso um processo moroso que envolveu, além de muita logística e ciência, quatro pessoas e três países.

Quando os britânicos decidiram aumentar a família, recorreram a uma clínica especializada em ajudar casais em procedimentos de fertilização in vitro. A ideia inicial era ter primeiro um filho gerado por um deles e, mais tarde, um segundo filho gerado pelo outro, mas os médicos sugeriram a alternativa de terem duas crianças ao mesmo tempo, concebidas na mesma barriga.

O casal foi em frente e chegou até uma dadora de óvulos, em Los Angeles, Estados Unidos, onde as gâmetas femininas foram recolhidas e divididas: metade seria fertilizada com o esperma de Simon e a outra com o de Graeme. Os embriões resultantes da fertilização foram congelados até ao momento da implantação no útero de outra mulher, residente no Canadá.

Segundo contaram à BBC, os homens não estavam confortáveis com a lei britânica da maternidade de substituição, que dá à gestante seis semanas para decidir se quer ser, legalmente, mãe da criança gerada.

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