Portugal e Espanha quando governados pela direita quase foram bancarrota. Agora, têm juros próximos de 0%

19-08-2019 16:28

Há menos de uma década, as dívidas portuguesa e espanhola eram vistas com receio pelos investidores. Os juros de Portugal chegaram próximos de 18%. Hoje estão quase a tocar nos 0%.

 

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Há menos de uma década, os investidores fugiam dos títulos de dívida de Portugal e Espanha. A troika e os credores internacionais viriam para evitar uma situação de bancarrota (com um resgate a Portugal e uma ajuda à banca em Espanha) e os países foram recuperando, ao longo do tempo, as economias e a confiança dos investidores. Agora, o apetite sem precedentes por obrigações está a levar os juros dos dois países para próximo de 0%.

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Com cerca de 14,4 biliões de euros em obrigações globais com juros negativos, os investidores estão a tentar encontrar retornos positivos onde ainda existem, o que nalguns casos significa apostar nos mercados mais arriscados da Zona Euro.

Tanto Portugal como Espanha viram as yields das obrigações a dez anos caírem, na semana passada, abaixo de 0,1%, para os valores mais baixos de sempre. Os dois países beneficiam, por um lado, da recuperação económica interna. Após mais de sete anos com o rating no nível de ‘lixo’ pelas principais agências de notação financeira, Portugal passou a ser visto como investimento de qualidade há quase um ano.

Juros de Portugal nunca foram tão baixos

rating em grau de investimento, sustentado pela saída dos procedimentos por défices excessivos, permitiu alargar a base de investidores, nomeadamente a fundos que excluem ativos com notação especulativa. A redução do peso da dívida, a aproximação do equilíbrio orçamental, o reforço da estabilidade financeira e o reembolso antecipado ao Fundo Monetário Internacional têm motivado otimismo, tendo a Moody’s passado a perspetiva de rating para positiva — o que sinaliza uma possível revisão em alta dentro de seis a 12 meses — há pouco mais de uma semana.

Por outro lado, estão ambos países também a ser influenciados por uma nova era em que as yields estão consistentemente baixas devido aos esforços dos bancos centrais de reavivarem a inflação com juros de referência em mínimos históricos e programas de compra de ativos.

Este efeito é generalizado a vários países. Em mercados vistos como mais seguros, como França ou Holanda, os juros desceram abaixo de 0% pela primeira vez, enquanto as yields das Bunds caíram para terreno ainda mais negativo em todos osprazos. Apesar de os estímulos permitirem aos Estados financiarem-se com baixos custos, levanta receios sobre a formação de uma eventual bolha no mercado dIvida.Estarão os bancos centrais a criar uma bolha?

“Temo que todas as curvas [das yields] caiam para zero e todos os juros caiam para zero. Seria um sinal incrivelmente preocupante“, afirmou James Athey, gestor sénior de investimento da Aberdeen Standard Investments, à Bloomberg.

É que, além da política monetária do Banco Central Europeu (BCE) — que deverá manter-se, com um novo pacote de estímulos em setembro –, também existe um pessimismo face à ameaça de recessão global e a deterioração do comércio internacional.

É uma espécie de ciclo vicioso. O mercado vê a quebra nos juros das dívidas e a inversão das curvas de yields (com os juros a dois anos mais elevados que a dez, ao contrário do que seria expectável) em países como EUA ou Reino Unido como bandeiras vermelhas a sinalizar que vem aí uma recessão. Como tal, fogem das ações e procuram refúgio em ativos como ouro, moedas e… dívida. O aumento da procura leva os juros a caírem ainda mais.

Num regime de repressão financeira, isto é normal”, disse Jorge Garayo, estrategista de fixed income no Societe Generale, à agência. “A grande questão é como toda a questão se irá desenrolar ao longo do tempo. Yields mais baixas incentivam maior endividamento quando os níveis da dívida já estão elevados“, sublinhou.

O início desta semana é de ligeira subida nos juros das dívidas, com o acalmar da guerra comercial a levar os investidores a olharem novamente para as ações. Os títulos de Portugal a dez anos negoceiam nos 0,15% e os de Espanha com a mesma maturidade nos 0,12%, a meros 3 pontos base um do outro. Ainda assim, estão muito longe dos máximos de há sete anos, próximos de 18% e 8%, respetivamente.

O risco-país de Portugal, que tocou o mínimo histórico de 60 pontos base há um mês, está agora em 80 pontos. Esta semana, o tom dos banqueiros centrais na conferência de Jackson Hole poderá ser o último empurrão necessário para Portugal e Espanha atingirem a barreira dos juros de 0%.

 

 
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