Portugal é um porto de abrigo para homossexuais que estão fugindo do Brasil, diz El Mundo.

10-04-2019 19:47

Uma reportagem do jornal espanhol concluiu que Portugal é um porto seguro para a comunidade LGBT. Há mesmo um grupo — Portugay Tropical — fundado para ajudar os gays que querem vir para cá.

O dia depois da eleição Presidente brasileiro foi o dia que marcou a fuga de Ariadna Seixas do país. “Chamavam-nos pervertidos e diziam que nos iam matar”, disse a mulher transexual ao El Mundo.

Ariadna Seixas deixou o café que tinha em Florianópolis, no estado de Santa Catarina, e partiu para Portugal.  Vendeu o estabelecimento comercial depois de ter sido assaltada por um grupo de pessoas. A mulher transexual não hesitou em ligar o episódio à eleição de Jair Bolsonaro para Presidente do Brasil. “Foi óbvio que o ataque estava ligado à eleição. Bolsonaro disse que as pessoas LGBT representam um perigo para o Brasil e a vitória deu legitimidade ao ódio sem complexos”, cita-a o jornal espanhol no artigo “Portugal, refugio para homosexuales huidos de Brasil” (Portugal, refúgio para homossexuais fugidos do Brasil).

A publicação cita dados da organização não-governamental Grupo Gay da Bahia para dizer que o Brasil é o país no mundo com mais homicídios relacionados com a homofobia: mais de quatro mil pessoas foram assassinadas de 2011 a 2018 — um homicídio a cada 16 horas.

Mal vendeu o café, Ariadne mudou-se para Portugal. Chegou por intermédio da recomendação de outros membros da comunidade LGBT que, como ela, saíram do Brasil. Escolheu o Porto para viver. “Temos de averiguar como fazemos para ficarmos aqui a longo prazo, mas por agora é um alívio viver num sítio onde podemos andar na rua sem medo”, desabafa Ariadna.

Com a escalada da violência contra a comunidade LGBT no Brasil, Débora Maria fundou o grupo Portugay Tropical. A brasileira, a viver em Portugal há mais de uma década, conta que o grupo apoia pessoas que temem pela vida. “Muitos amigos perguntaram-me o que podiam fazer para emigrar e lembrei-me que haveria milhares de pessoas como eles. No primeiro dia em que criei a página no Facebook, chegaram milhares de mensagens de pessoas a pedir ajuda“, disse Débora ao El Mundo.

 

 

 

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