A verdade de muitos relacionamentos amorosos reflete as fragilidades da sociedade de hoje. A falta de amor-próprio e a obsessão por um relacionamento amoroso estável são dois ingredientes capazes de transformar uma relação num filme de terror.

Os relacionamentos amorosos têm sofrido profundas transformações ao longo dos tempos. Claramente, a história revela que num passado não muito longínquo os casamentos eram por conveniência, substituindo interesses sociais e económicos pela verdade dos sentimentos de amor. Nesse âmbito, abriam-se portas aos amantes e às amantes que possibilitavam vivências em que a paixão e o amor tomavam lugar. Não são, por isso, raras as histórias sobre relacionamentos apaixonados fora de um casamento.

Embora esta conduta fosse fortemente reprovável numa sociedade monógama e com a prevalência dos valores da família, a verdade é que era muitas vezes compreendida e tolerada, uma vez que a pessoa não tinha contraído o matrimónio por amor.

Talvez este tenha sido um dos maiores desafios das gerações vindouras. Houve uma grande libertação deste tipo de relacionamentos, dando-se lugar a relações baseadas em amor. Duas pessoas apaixonavam-se, namoravam e casavam-se com base nos sentimentos de amor que sentiam.

O cenário parecia perfeito para que tivéssemos um mundo mais feliz, mas a verdade é que temos assistido ao regresso de um padrão antigo, mas com procedimentos diferentes.

Quiçá o leitor conheça algum caso em que alguém por sua livre iniciativa assumiu um relacionamento com alguém só porque sonhava casar-se e ter uma família, acreditando que algum dia por milagre ou que pelo passar do tempo começasse a sentir-se apaixonado ou a amar a pessoa que tinha a seu lado. Poderá mesmo até ser o seu caso. Não é raro e espelha simplesmente (in)evolução dos tempos, em que o individualismo toma lugar, a falta de cuidado com as pessoas e a consequente falta de amor-próprio e de verdade para com o próprio.

Infelizmente, estas relações transformam-se muitas vezes em “pesadelos” que arrastam não só as personagens principais da história para o sofrimento, porque não amam a pessoa com quem estão e porque há uma incompatibilidade inultrapassável pela falta de amor. Mas também as personagens secundárias, que são a própria família que vivencia esta instabilidade sem que tenha contribuído para isso.

Lamentavelmente é cada vez mais comum a procura por alguém que goste de nós e que esteja disponível para assumir um relacionamento estável. Em muitos casos, essas são hoje as premissas necessárias para iniciar uma relação com alguém. E onde está o amor? Esse “virá” depois, “talvez”, mas o importante agora é tratar do casamento!
 

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