Segundo feto geneticamente modificado na China tem entre 12 e 14 semanas.

11-04-2019 21:24

      Segundo feto geneticamente modificado na China tem entre 12 e 14 semanas.

O feto da segunda mulher grávida na China de um bebê geneticamente modificado tem atualmente entre 12 e 14 semanas, informou nesta terça-feira um especialista americano que está em contato com o cientista chinês que afirmou ter criado os primeiros bebês do mundo com técnicas de edição do genoma. A segunda gravidez após os experimentos do cientista chinês He Jiankui foi confirmada nesta segunda pelas autoridades chinesas, segundo a agência Xinhua, que acrescentou que o pesquisador será alvo de uma investigação policial. Ele afirma ter criado os primeiros bebês do mundo com técnicas de edição de genoma.

A segunda gravidez após os experimentos do cientista chinês He Jiankui foi confirmada nesta segunda pelas autoridades chinesas, segundo a agência Xinhua, que acrescentou que o pesquisador será alvo de uma investigação policial. Ele afirma ter criado os primeiros bebês do mundo com técnicas de edição de genoma.

He Jiankui provocou polêmica na comunidade científica mundial em novembro de 2018, ao anunciar o nascimento de gêmeas com o DNA modificado para que sejam imunes ao vírus da Aids.  O cientista informou depois, em um fórum em Hong Kong, que havia "outra provável gravidez". Uma investigação do governo provincial de Guangdong, no sul do país, confirmou desde então a existência desta pessoa, que continua grávida. Esta mulher, assim como as gêmeas da primeira gravidez, estarão sob observação médica, declarou um investigador a Xinhua.

Segundo os resultados da investigação, He Jiankui "produziu falsos documentos de avaliação ética", montou "de forma privada" uma equipe de pesquisa que incluía cientistas estrangeiros e utilizou "tecnologia cuja segurança e eficácia são duvidosas". Os investigadores afirmaram que o cientista "busca a fama" e que utilizou seus "próprios fundos" para realizar o projeto. No total, havia oito casais voluntários para a experiência, segundo os pesquisadores, e um deles desistiu durante o processo.

William Hurlbut, médico especialista em bioética da Universidade de Stanford na Califórnia, que conhece He há dois anos, declarou à AFP que o feto "era muito jovem no momento da conferência" de novembro. "Não tinha mais de quatro ou seis semanas. Agora, deve ter entre 12 e 14 semanas". Hurlbut afirmou que planejava visitar o laboratório de He após a conferência sobre o genoma humano. Os dois se encontraram várias vezes nos últimos dois anos.

Condenação internacional imediata 

A condenação da comunidade científica chinesa e do mundo foi generalizada após o anúncio, em novembro. Os detalhes da experiência nunca foram verificados de forma independente. O governo chinês tinha exigido a suspensão das atividades científicas do pesquisador dias depois de que o estudo foi anunciado publicamente.

Este tipo de edição genética aplicada a humanos é proibido na grande maioria dos países, inclusive na China.

He Jiankui será "tratado [...] de acordo com a lei" e seu caso "vai ser transferido aos órgãos encarregados da segurança pública", indicou a Xinhua nesta segunda-feira. Na cúpula do genoma em novembro em Hong Kong, o cientista disse que estava "orgulhoso" de ter alterado os genes do bebê, dados os estigmas que afetam os pacientes com HIV no país. O protesto público contra seu experimento permitiu também trazer à luz a crescente epidemia de Aids na China, que registrou um aumento drástico de novos casos nos últimos anos.

He Jiankui, formado na universidade americana de Stanford, disse ter utilizado a técnica CRISPR/Cas9, que atua como uma tesoura, retirando e substituindo partes indesejáveis do genoma. As gêmeas nasceram, disse, após uma fertilização in vitro feita a partir de embriões editados antes de serem implantados no útero da mãe. Esta técnica é extremamente controversa, principalmente porque as modificações poder ser transmitidas às gerações futuras e afetar o conjunto do patrimônio genético. Depois da polêmica, a comunidade científica pediu um tratado internacional sobre a edição genética.

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