Será que conhece mesmo de vinhos?

23-02-2019 11:31

Está no meio de nós há séculos e integra a cultura portuguesa como se fosse um fado. Por isso, pensamos que o conhecemos – ao nosso vinho - como ninguém. Será que é mesmo assim?

Se há uns anos só falava de castas ou terroir quem percebia realmente de vinhos, hoje o acesso a esta informação generalizou-se de tal maneira que é já conversa habitual entre muitos de nós. Ao ponto de uma simples ida à tasca do costume incluir, agora, um diálogo inicial com o empregado para averiguar sobre o bilhete de identidade do vinho da casa. Ou um qualquer convite para jantar em casa de amigos passar a implicar interrogatórios cerrados sobre a ementa, para que o vinho que levamos “case” bem.

E ainda bem que assim é. Todo o respeito que tenhamos pelo vinho é pouco, tendo em conta o muito que nos dá. Afinal, ele está connosco como o amor das nossas vidas: na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza. Qualquer ocasião é boa para o bebermos e é, em regra, com um copo na mão que aprofundamos amizades, confidenciamos segredos, declaramos paixões ou celebramos momentos em família.

O interesse pelo vinho é crescente e a acompanhá-lo estão os múltiplos cursos de iniciação que proliferam, bem como os programas de provas e até de participação nas vindimas. Tudo isto nos últimos anos, com o nosso país a assumir-se como aquele que mais vinho consome no mundo: exatamente 51,4 litros de vinho por pessoa em 2017, segundo dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho.

Mas será que sabemos realmente o essencial sobre vinhos? Para ajudar na próxima conversa que tiver com aquele amigo armado em enólogo, deixamos aqui o que deve mesmo saber acerca dos vários tipos de vinho. E, logo de seguida, teste os seus conhecimentos.

Vinho tinto

É produzido a partir da fermentação de uvas tintas, havendo contacto entre as películas e o mosto. Pode apresentar diversas tonalidades, desde o vermelho vivo ou rubi até ao mais granada ou cor de telha. O que determina a diferença de cor é a casta, a idade e o estágio do vinho.

Os vinhos jovens são caracterizados por cor vivas, aromas frutado ou floral e sabores vibrantes. São mais versáteis, adequados à generalidade das ementas, mas vão especialmente bem com entradas de enchidos, massa, pizza, pratos simples de carne ou com a posta de bacalhau. Sugere-se que sejam servidos, em regra, entre os 15 e os 17°C.

À medida que vão envelhecendo, os vinhos tintos vão perdendo intensidade na cor, ganhando em complexidade aromática e em elegância nas texturas. Diz-se que são vinhos de guarda aqueles que beneficiam em ser bebidos anos mais tarde. Podem ser servidos a uma temperatura ligeiramente superior aos vinhos jovens, a 17-18°C. Convém que sejam abertos 20 a 30 minutos antes de serem servidos e adequam-se a pratos elaborados de carne vermelha ou caça, bem como a acompanhar queijos de sabor intenso.

Vinho branco

Obtido a partir da fermentação de uvas brancas sem a presença da película, embora haja exceções.

Os vinhos brancos caracterizam-se pelo aspeto límpido e cor amarela, que pode variar entre o esverdeado e o amarelo dourado. Também aqui encontramos vinhos brancos para consumir jovens ou outros mais adequados à guarda. Os primeiros caracterizam-se pela cor pálida e aromas frescos, que podem ser cítricos ou florais. São um bom aperitivo, sobretudo no verão, e acompanham bem pratos de peixe e saladas. Ganham em ser consumidos a uma temperatura entre os 8°C e os 10°C.

Já os vinhos brancos mais estagiados apresentam maior complexidade e intensidade aromática, mostrando em regra tonalidades douradas. Ligam bem com pratos de bacalhau, salmão ou carnes brancas. Devem ser servidos a uma temperatura entre os 10 e os 12°C.

Vinho rosé

Elaborado a partir de uvas tintas segundo um processo especial de fermentação, que consiste em retirar do mosto as películas das uvas, numa altura em que já foi transferida a coloração rosada. Segue-se depois um processo semelhante ao do vinho branco.

Muito equilibrado e aromático – com destaque para as notas florais ou frutadas –, o vinho rosé é uma excelente opção para os dias quentes, e conjuga-se bem com cozinha de fusão e oriental. Deve ser consumido jovem e entre os 9 e 11°C.

Vinhos frisantes e Vinhos espumantes

Caracteriza-se por ter pouco gás – a “bolha” —, o qual é produzido naturalmente no processo de fermentação da uva. Os vinhos frisantes fermentam apenas uma vez, ao contrário dos vinhos espumantes, cujo gás carbónico é formado na segunda fermentação.

Entre os vinhos frisantes mais conhecidos destacam-se o italiano lambrusco. Já o espumante é um vinho cujas características e métodos de fabrico foram importados de França, de onde é originário o famoso Champanhe – denominação que apenas pode ser usada pelos espumantes produzidos na região demarcada com este nome. Em Portugal, também temos bons vinhos espumantes naturais, nas variantes branco, tinto e rosé.

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